domingo, 28 de novembro de 2010

O nada.



"Eu quero fazer silêncio; Um silêncio tão doente do vizinho reclamar" - Chico Buarque


O nada chegou assim que o tudo se foi. Como trem que vem, um logo após o outro. Larguei a mão de ser sempre tão qualquer coisa que completasse meu dia-a-dia, e decidi me deixar fluir com essa nova perspectiva mundana. Tão deixou pra estar. Estou renovada, ainda em branco, prestes a ser escrita. Sem vazio, nem copo meio cheio. Imensa, sim, a vontade de ir em frente, de que as coisas aconteçam. Como um apostador de elite, e sapiência, na hora exata. Apertar o gatilho e trocar de marcha quando tiver assim que ser. Quando chegar o momento, o nada então na bolsa, dentro da carteira: carregado comigo pra quando precisar, emergências Simplista que é, o nada me trouxe certa paz, e muita harmonia. Descontei toda minha urgência no esvazio que era ser inteira em tudo, e de repente, eu mesma sentada com o aspecto da maior indiferença possível postado no rosto. Quem sabe, algum sorriso no canto da boca, ensaiado. Não mais no olhar o semblante arrasado, de meses atrás. Muito pouco, nada.
Olhava pro céu, e via só estrelas, ao invés de costurar constelações, e marcar planetas. Escutava músicas, e conseguia prestar atenção na letra de forma didática, e não romântica. Se arrumar para si, reaprendi. E o nada ali, por osmose, ligação iônica e totalmente valente. Vezenquando, telepatia. O nada fez um puta favor pra mim: me apresentou uma prima distante, a nenhuma. E quando as pessoas vinham cheias de aflição em minha direção, era sempre as mesmas respostas quase decoradas: nenhuma novidade, nenhuma sensação, nenhuma culpa. Periodicamente, pratiquei o nada mais que sempre. Na ponta da língua, sempre meu novo pupilo como resposta: Que tu tem? Nada. Quer mais alguma coisa? Nada. Que fez ontem? Nada. Fiel companheiro tanto no caminho dos zilhões de compromissos diários, dos leões a serem mortos a cada vinte e quatro horas, como nas manhãs em que durmo até tarde, com nenhum sonho, ninguém para pensar.
Houve o ninguém também. Mas o este magistral, apareceu pouco - só em voz. O bom é que o ninguém muda. E não me faz muita companhia. Condecora minha vivência quando comigo, e se vai sem nem avisar o horário ou data. Visita a cada dois ou três dias, e sempre que vai deixa certo alívio. Antes um ninguém completo e grandioso, a um alguém que existe, e não me dá gosto aos dias, sabor aos minutos. Adotado o nada como meu mascote, vejo só lucro, no horizonte: não conto detalhes da minha vida, falo menos, penso muito e me exponho pouco. O nada que veio mostrou um caminho pro tudo que nem ele sabia ser possível: aqui dentro, internamente. Eu, e o tudo. Casamento bem sucedido, daqueles que um se torna o outro. Me tornei meu tudo, e me deixei nadar no que a vida oferta, em cada oportunidade misteriosa à mim destinada.
Não quero o nada específico, nem ninguém em especial. O que vem até nós sim, seja o tamanho que possua, é possível, é pleno. Se torna essencial.

Por Camila Paier

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Silêncio.


Ela entrou sobre os dedos dos pés em seu quarto escuro, deitou sobre a cama quente e levantou seu cobertor sobre a cabeça. Era mais fácil fazer uma cabana, não acha? Não sabia o que era, apenas estava lá e de alguma forma precisava entrar. Pensou que fosse apenas o vento, ou simplesmente, problemas com a fechadura. Naquele lugar, já haviam entrado demais, só que dessa vez parecia ser diferente. Mas pensando bem ,sempre parecia ser diferente. Olhando para seu redor em baixo do cobertor, viu que estava sozinha. Nem seu amigo urso,estava por lá. E ele sempre estava.
Ao se sentir sozinha, veio sobre seu corpo, um vento frio que congelou seus pés. Não havia um ser se quer que pudesse ajudá-la naquele momento. O medo lhe consumia cada vez mais. Ela só poderia abraçar ela mesma. Com tudo isso, ela permanecia lá ,imóvel. Sabe,a única coisa que era preciso,era alguém. Alguém que pudesse tirá-la daquele quarto escuro, onde nem seu amigo urso, que não tinha um coração,conseguiu ficar.
De repente, uma luz brilhante invadiu o seu quarto. Você poderia pensar que fosse qualquer coisa. Talvez a energia que tinha voltado. Eu mencionei que estava sem energia? Ou talvez fosse apenas o farol do lado de fora. Eu mencionei que havia um farol? Você pode acreditar no que quiser, mas ela acreditava que era um anjo. Acredita em anjo?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Desbravando a natureza ..'


Subir uma montanha, descer um rio e escalar uma parede são atividades que exigem do praticante mais do que esforço físico: requerem um ritual que separa o escalador ou o canoísta dos mortais comuns e os aproxima do divino, sacralizando sua existência. Todo o preparo para essa “viagem” remete ao sentido de um ritual orgiástico: a busca do êxtase final. Quanto mais o homem sobe uma montanha ou desce um rio selvagem, mais ele se supera e se aproxima de sua religiosidade, escamoteando o tempo presente, vivendo uma aventura pessoal de liberdade e transcendência. O praticante se aproxima, assim, do divino que reside nele mesmo.
Essa prática na natureza, em meio selvagem, está associada à idéia de aventura, com um forte valor simbólico. Trata-se de uma aventura motriz que mobiliza o imaginário, influenciada pelos mitos e símbolos que animam a cultura em que se desenvolve a atividade. Há um instinto de jogo com o próprio limite. Nesse jogo, os atores satisfazem sua imaginação criadora mapeando as montanhas com trilhas, vias e rios, provando a sí mesmos sua capacidade de autocontrole, auto-superação e auto-aperfeiçoamento.

ESPORTES DE AVENTURA E RISCO NA MONTANHA: Um Mergulho no Imaginário
Vera Lucia de Menezes Costa

domingo, 7 de março de 2010

sentimento ..

E as vezes fico pensando na dificuldade que tenho de me apaixonar pelas pessoas e de mostrar o meu carinho por elas. As vezes as pessoas que mais mereciam ouvir isso eu não consigo dizer, as vezes por vergonha, falta de oportunidade ou falta de coragem. Coisas que não consigo escrever, nem mesmo dizer, ficam por aqui, também não sei o que é, não me incomodam, ficam no lugar delas, e eu ainda continuo sem saber o que é. As vezes são grandes demais pra conseguir imaginar e muito menos expressar.
Meu sentimento é forte demais que eu acabo me tornando fria com algumas pessoas, e carinhosa demais com outras, e mais carinhosa ainda por dentro, carinhosa pra mostrar pra mim, somente a mim que eu tenho amor a quem não sei demonstrar. Sempre tem algo guardado a cada hora do dia, eu sei que estou sentindo mais não sei como senti-lo para saber o significado!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

lua faz, o nosso sentimento libertar o amor ♪


A lua que me encanta, que me faz sonhar, sonhar por tudo aquilo que me acostumei a ter, tudo aquilo que um dia sonhei ser meu, tudo aquilo que um dia terei. A lua que me faz sonhar é a lua que me acolhe nos dias tristes, nos dias de solidão e de alegria. É nela que prendo minhas esperanças, com ela que guardo meus segredos e entrego minhas lágrimas, compartilho alegrias e sonhos.
Ah tantas coisas que no mundo eu quero mudar, e apenas em você não consigo mudar nada, te aceito exatamente como é, mesmo sendo totalmente diferente de mim e dos meus sentimentos.
E nessa briga do tempo, entre amores, decepções, desilusões, sonhos e metas teu olhar me faz ter certeza de uma coisa.
Que nada vai ser tão fácil como foi me entregar a você.